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quinta-feira, 9 de junho de 2011

CASO CESARE BATTISTI: ITALIANOS MANIFESTAM DESCONTENTAMENTO COM DECISÃO DO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL DO BRASIL

Após tomar conhecimento da decisão tomada no dia de ontem (8), pelo Supremo Tribunal Federal (STF) do Brasil em negar a extradição do ex-ativista político Cesare Battisti, condenado pela justiça italiana, no ano 1993 a prisão perpétua na Itália, pelo assassinato de quatro pessoas, o governo italiano reagiu duramente anunciando que o caso será levado até a Corte Internacional de Justiça de Haia, na Holanda.


Um comunicado do primeiro-ministro Silvio Berlusconi afirma que a decisão da suprema corte brasileira "não leva em conta as legítimas expectativas de justiça do povo italiano e, em particular, dos familiares das vítimas".


Berlusconi ressaltou que "A Itália, respeitando a vontade do STF, continuará sua ação e ativará as oportunas instâncias jurídicas para garantir o respeito dos acordos internacionais que unem os dois países, unidos por relações históricas de amizade e solidariedade".


Já o ministro das Relações Exteriores da Itália, Franco Frattini, em comunicado oficial afirma: "essa decisão ofende o direito de justiça das vítimas dos crimes de Battisti e é contrária às obrigações aprovadas nos acordos internacionais que unem os dois países". Também destacou que a Itália “ativará imediatamente todos os mecanismos de tutela jurisdicional perante as instituições multilaterais, "especialmente perante a Corte Internacional de Haia, para conseguir a revisão de uma decisão que não se considera coerente com os princípios gerais do direito e com as obrigações previstas no direito internacional".


Outras autoridades italianas também se pronunciaram sobre o assunto.


Giorgia Meloni, ministra para a Juventude Italiana afirmou que a sentença do STF representa um "golpe" nas instituições italianas e a "enésima humilhação" às famílias das vítimas.


Alessandra Mussolini deputada pelo partido governista Povo da Liberdade e neta de Benito Mussolini foi mais dura nas suas críticas quando afirmou: a "ofensa" sofrida pela Itália "é grande" e deve-se "fazer pagar, se necessário também em termos diplomáticos esta infâmia". "O respeito da Itália se defende não com o florete, mas com a espada".


MEMÓRIA


Os crimes pelos quais Battisti foi condenado aconteceram entre os anos de 1977 e 1979, época em que o mesmo integrava o grupo Proletários Armados pelo Comunismo (PAC), grupo armado das Brigadas Vermelhas.


Em 2004, Battisti – que sempre se declarou inocente – fugiu da França, onde estava refugiado e veio para o Brasil. Em 2007 o ex-ativista foi preso no Rio de Janeiro. Com sua prisão, a Itália solicitou formalmente a extradição. A decisão do governo brasileiro se arrastou até o ano passado, quando em decisão pessoal do ex-presidente Lula da Silva o pedido foi negado.


A decisão provocou questionamentos e o caso foi parar no STF, que na data de ontem manteve a decisão do ex-presidente brasileiro, de não extraditar Battisti.

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