- O CASAMENTO DE NEZINHO COSTA -
"Frei Carmelo" (Maio 2006)
Manoel
Costa, morava na fazenda Oiticica, no limite entre os municípios de Sítio Novo e
Santa Cruz.
Filho de
uma família de agricultores, tinha nove irmãos e era o mais velho.
Desde
cedo começou a trabalhar na lavoura e nas atividades do sítio para ajudar os
pais a criar os irmãos. Tirava leite, ajudava a fazer queijo, amansava garrotes
para a campinadeira, enfim, como ele próprio falava - faço,de um, tudo - para
ajudar meus pais na lida da Oiticica.
Nezim,
como era chamado, gostava muito de trabalhar e era por demais controlado nos
gastos. Católico fervoroso, rezava todas as noites para a sua santa de devoção,
Santa Rita de Cássia. Assistia três missas por ano, a da sexta-feira da Paixão,
22 de Maio (missa de Santa Rita, e a missa do galo, no fim do ano.
Todos os
sábados Nezim, pegava o caminhão de Zé Beijú, para ir à feira de Santa Cruz.
Passava na feira do gado para saber como estava o preço do boi, do bode e até de
burro mulo, cavalo etc..
Depois
passava na usina de algodão para comprar torta de caroço, para as vacas de
leite e os bois de campinadeira. Por volta de 11 horas, pegava o primeiro
transporte que passasse na fazenda e voltava pra casa. Almoçava, ligava a
forrageira e preparava a ração do gado do curral.
Os irmãos
mais novos de Nezim, começavam a tomar cachaça logo cedo na feira do gado,
depois desciam pro cabaré, pra dançar forró e namorar com as cabôcas novas que
vinham de Cuité, Campina Grande e de outras cidades e gastavam o dinheirinho que
ganhavam na semana.
As irmãs
casaram muito novas e foram mudando da fazenda, umas pra cidade, outra para
outros sítios onde moravam seus maridos. Depois, os irmãos foram morar na
cidade, trabalhar de pedreiro ou de servente e dois deles foram pra São Paulo,
em busca de trabalho melhor remunerado.
Nezim
ficou só com o casal de velhinhos, que por ironia do destino, morreram de
pneumonia, no frio de Julho. O velho Costa, morreu na véspera de São João e
Sinhá Leopoldina, na noite de São Pedro.
A
tristeza tomou conta da Oiticica, enquanto durou o luto dos pais de Nezim. Os
irmãos vieram visitá-lo, as irmãs davam conselhos pra Nezim, arranjar uma
companheira, pra não ficar tão sozinho naquele casarão.
Nezim que
de sexo não entendia nada, nunca tinha ficado com mulher e brigava com os
irmãos, quando flagrava algum deles escanchado na jumentinha de carregar água do
barreiro, para a serventia da casa.
Um ano depois da morte de Seu Costa, o luto tava desfeito e Nezim resolveu atender o convite das irmãs e foi a uma festa de São João, no Saco de Dentro, terras de João Valentim, no município de Lages Pintadas. Chegando lá, tomou a tradicional "chamada de cana", que ele só fazia aos domingos, antes do almoço. Tomou mais uma e mais outra, com pamonha, milho assado e rolinha torrada.
Um ano depois da morte de Seu Costa, o luto tava desfeito e Nezim resolveu atender o convite das irmãs e foi a uma festa de São João, no Saco de Dentro, terras de João Valentim, no município de Lages Pintadas. Chegando lá, tomou a tradicional "chamada de cana", que ele só fazia aos domingos, antes do almoço. Tomou mais uma e mais outra, com pamonha, milho assado e rolinha torrada.
Nezim,
pela primeira vez, sentiu o efeito inebriante da aguardente. Ficou surpreso ao
saber como era bom. Quando se deu conta, já estava dançando com Ritinha, viúva
de Zacarias Nó Cego, que foi morto a faca, na bodega de Luis Baeta em São Bento
do Trairi.
Ritinha,
esquentada e experiente, pegou o solteirão pelo braço e levou pro salão,
pensando mais nas economias do gajo, do que no homem bom que era ele. Mas, ficou
surpresa e contente, quando sentiu nas pernas se avolumar a virilidade daquele
fazendeiro que a única vez que sentiu um orgasmo, foi em um sonho, onde acordou
assustado pensando que estava tendo uma agonia.
Depois da
festa até o casamento, foi um pulo. Ritinha, tinha o nome de sua santa de
devoção e fazia ele sentir umas coisas que nunca sentira antes, danado de
bom.
A festa
foi simples como era ele; com um paletó do seu velho pai ele casou. Foram pra
Oiticica, onde Nezim mandou matar um boi erado que estava cevando, com 25
arrobas.
Dançaram
bastante, até que Ritinha, com o efeito do conhaque São João da Barra, um
afrodisíaco do sertão, pegou o marido pelo braço e levou para o
quarto.
Chegando
no quarto, na mesma cama que fôra de seus pais, Nezim estremeceu. Ritinha
percebendo, apagou a lamparina e puxou-o para a cama, já se desfazendo das
roupas. O rapaz era só virilidade e não tinha certeza de como fazer as coisas.
Ritinha conseguiu traze-lo pra cima dela e o coitado muito desajeitado encostou
o peito no seu rosto, como quem quer esconder a vergonha e numa agonia feroz,
numa tremedeira violenta, gozou no umbigo da noiva. Foi quando Ritinha cheia de
desejo, falou pra Nezim:
- Não é
aí não Nezim. É mais embaixo. Nezim retrucou:
- Espere
muié, ainda tem um lugázim mió do que esse?
Enviada por: Chagas Lourenço (Santa Cruz-RN)
Enviada por: Chagas Lourenço (Santa Cruz-RN)
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