Manoel Geminiano Teixeira de Souza
- Que fazes, oh lavrador
Que estás tão fatigado?
- Estou plantando sementes
Para arrancares, malvado!
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- Eis-me aqui meu lavrador
Para fazer a empresa,
Pois que procurar a vida
Não acho ser safadeza...
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- Dizei-me infame cajaca,
Dizei-me, pérfido, ruim
Porque não te alimentas
Da semente do capim?
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- A semente do capim
Esta tenho reservado
Para quando se acabar
A lavoura do roçado.
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- Miserável passarinho
Tenho pra quem trabalhar
E é uma divida sagrada
Que eu preciso pagar.
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- Espera meu lavrador,
Eu quero pequena parte,
Meu consumo é muito pouco
Só quero o quanto me farte.
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- O lindo pássaro canário
Que cor, que cântico excelente,
E tú, malvado, até nas penas
Tens uma cor diferente.
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- A cor eu fico caldo
Ele bonito e eu feio
Quanto ao cântico, isto não!
Também tenho o meu gorgeio.
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- Tão pequeno e malfasejo
De quem não precisa o mundo
Até nos irracionais
Se encontra vagabundo!
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- Basta senhor lavrador
Até aqui eu cheguei
Mas as suas ameaças
Eu vou dar parte ao meu rei.
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- Você também tem um rei?
Onde é este reinado?
- E onde já vistes nação
Que não tenha o seu Estado?!
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- Pólvora, chumbo e espingarda
Tudo isto eu já comprei
Para acabar com você
E o malvado do seu rei!
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(*) Cajaca é um dos nomes populares de uma ave passeriforme da família Furnariidae. Nas regiões do sertão e seridó da
Paraíba e do Rio Grande do Norte esta espécie é também chamada de cajaca-de-couro, casaca-de-couro,
cajaca-vermelha e casacão. Também é conhecida como carrega-madeira-do-sertão, carrega-madeira-grande
(Bahia) e João-de-Moura (Ceará).

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