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sexta-feira, 27 de julho de 2018

POESIA POPULAR NORDESTINA

- POETAS POPULARES -
Poeta Antônio Vieira

“A nossa poesia é uma só
Eu não vejo razão pra separar
Todo o conhecimento que está cá
Foi trazido dentro de um só mocó.
E ao chegar aqui abriram o nó
E foi como se ela saísse do ovo
A poesia recebeu sangue novo
Elementos deveras salutares.
Os nomes dos poetas populares
Deveriam estar na boca do povo
No contexto de uma sala de aula
Não estarem esses nomes me dá pena.
A escola devia ensinar
Pro aluno não me achar um bobo
Sem saber que os nomes que eu louvo
São vates de muitas qualidades.
O aluno devia bater palma.
Saber de cada um o nome todo
Se sentir satisfeito e orgulhoso
E falar deles para os de menor idade
Os nomes dos poetas populares.”

segunda-feira, 4 de dezembro de 2017

POESIA POPULAR NORDESTINA

Trecho de uma cantoria em “oito pés de quadrão".

“Cantar comigo é um risco
quebra pedra, espalha cisco;
vem trovão, e vem corisco; 
vem corisco e vem trovão; 
desce água em borbotão;
as águas formando tromba 
teu açude, agora, arromba 
nos oito pés de quadrão!”
Lourival Batista

“Meu açude não arromba 
nem a sua parede tomba  
porque dois pés de pitomba 
sustentam seu paredão
Haja pitomba no chão, 
n’água rasa e n’água funda; 
leve pitomba na bunda 
nos oito pés de quadrão!" 
Pinto do Monteiro

quinta-feira, 31 de agosto de 2017

POESIA POPULAR NORDESTINA

- O DEPUTADO E O BURRO -
Poeta Luciano Carneiro *
I
Tão num impasse danado
Vão findar trocando murro
O burro e o deputado
O burro quer trabaiá
O dotô num qué deixá
Diz que a carroça é pesada
Porém o burro enfezado
Diz que não é deputado
Pra ganhar sem fazê nada.
II
O burro inda diz assim
Eu trabaio pro meu patrão
Mais ele mim dá capim
Mim dá remédio e ração
Dá água bãe e vacina
E só me aprica disciprina
Quando invento bestêra
E você, seu deputado
Se fosse disciprinado
Agia douta manêra.
III
Burro, cavalo e jumento
Tem mais é que bataiá
Se for no seu argumento
De vivê sem trabaiá
De disprezá o seu dono
Lhe deixá no abandono
Eles vai tranca o roçado
Tem razão, que a roça é sua
E joga nóis no mei da rua
Pra morrê atropelado
IV
E será se essa tá
De proteção dos animais
Tem roçado, tem quintá
Cum água e cum capinzais?
Pra nóis vivê só cumeno
Bebeno água e correno
Tudo gordo e bem zelado
Viveno uma vida incrive
Iguá a que o senhô vive
Na câmara dos deputado?
V
Será que os dono da gente
Tem a merma opinião?
Que tem o seu presidente
O chefe dessa nação
Que cobra imposto danado
Do pobre lá do roçado
Do piqueno comerciante
Pra todo finá de mês
Pagá um montão pra vocês
Só pruquê são importante?
VI
Eu num reparo o sinhô
Sê dotô, seu deputado
Esquecê seus inleitô
Que veve disagregado
Ou trabaiano na roça
Ou mermo nu’a carroça
Cuma meu patrãozim faiz
Tentano sobrevivê
Mas deixe de meter
Na vida dos animais.
VII
Vá criá projeto novo
Vá cuidá doutos assunto
Fazê morada pro povo
Vá douto, fazê conjunto
Vá ajeitar as estrada
Que tão tudo esburacada
Dão má pra gente passá
Ou então fique parado
Ganhano seu ordenado
Mais deixe nóis trabaiá.

quarta-feira, 18 de janeiro de 2017

POESIA POPULAR NORDESTINA


A MINHA LUA: 
(Por: Primo Poeta)

A lua que eu adorava
Era fã da boemia,
Dormia durante o dia
E de noite vadiava.
De quarto em quarto ela andava
Sempre em busca de prazer,
Mas num certo amanhecer
Retornou ao meu abrigo
Minguou e deixou comigo
As fases do bem-querer.

segunda-feira, 16 de janeiro de 2017

POESIA POPULAR NORDESTINA

- UMA ROLA VELHA -

"Oliveira de Panelas", poeta e repentista pernambucano, certa vez se deparou com um desafio no mínimo inusitado:
Após consertar seu carro na oficina mecânica de um amigo e perguntar quanto havia custado o conserto, ouviu do dono da oficina, que o conserto ficaria de graça, caso ele fizesse um verso, falando sobre o seu “órgão sexual”.
Surpreso e ao mesmo tempo indignado, Oliveira resolveu brincar com o seu amigo dono da oficina e descreveu assim o “dito cujo” (na íntegra): 


Essa rola antigamente
Vivia caçando briga
Furando pé de barriga
Doidinha pra fazer gente
Mas hoje tá diferente
No mais profundo abandono
Dormindo um eterno sono
Não quer mais saber de nada
Com a cabeça encostada
Na porta do cu do dono.
- - - - - x - - - - -
Já fez muita estripulia
Firme que só bambu
Mais parecia um tatu
Fuçava depois cuspia
Reinava na putaria
O 'priquito' era seu trono
Trepava sem sentir sono
E sem precisar de escada
Mas hoje vive enfadada
Na porta do cu do dono.
- - - - - x - - - - -
Nunca mais desvirginou
Uma mata vaginosa
Há muito tempo não goza
A noite de gala passou
Vive cheia de pudor
Sonolenta e sem abono
Faz da ceroula um quimono
E da cueca uma estufa
Vive hoje à cheirar bufa
Na porta do cu do dono.
- - - - - * - - - - -

quarta-feira, 28 de dezembro de 2016

POESIA POPULAR NORDESTINA

DE: DEPOIMENTO

- Assisti ao primeiro cantador quando ainda era menino lá na minha terra, em Taperoá, sertão da Paraíba. E naquele dia participava um grande cantador, chamado Antonio Marinho, que, além dos improvisos, cantou um folheto, escrito por ele, que me causou grande impressão. Depois, me lembro de um dia na biblioteca de meu pai. Ele era um grande leitor, sabia versos de cor e era amigo de um escritor cearense chamado Leonardo Motta, que foi um dos pioneiros da documentação sobre os poetas populares. E lembro que estava olhando a biblioteca de casa e vi que ele tinha dedicado um dos seus livros ao meu pai. Dedicou a seis pessoas, entre as quais o meu pai, que é citado como uma das fontes que comunicaram versos a ele. Então, você imagine o orgulho que eu tinha. Eu na biblioteca, pego aquele livro e meu pai está lá como personagem. Foi aí que comecei a ver que aqueles cantadores, que eu tinha ouvido com tanta alegria, eram assunto de livros, que o que eles faziam eram coisas importantes. Ficou sacralizado pra mim o cantador. Não é por acaso, talvez, que quando fui escrever O Auto da Compadecida me baseei em três folhetos. Estão todos os três citados no livro de Leonardo Motta. Foi O Enterro do Cachorro, de Leão de Gomes de Barros, O Cavalo que Defecava Dinheiro, que também acho que é dele, e o Castigo da Soberba, que é dado como de autoria de dois autores folclóricos, Anselmo Vieira de Souza e Silvinho de Pirauá. 

terça-feira, 6 de dezembro de 2016

MINISTRO DA CASA CIVIL DO GOVERNO MICHEL TEMER É ACUSADO DE GRAVE CRIME AMBIENTAL.

Justiça manda bloquear R$ 38,2 milhões de Eliseu Padilha e de 4 sócios

Ministro causou danos ambientais difíceis de reparação, diz decisão
O ministro da Casa Civil, Eliseu Padilha, e mais quatro sócios dele tiveram R$ 38,2 milhões em bens bloqueados por ordem da Justiça de Mato Grosso, por degradação ambiental em uma fazenda localizada em Vila Bela da Santíssima Trindade, a 562 km de Cuiabá. A propriedade é localizada no Parque Estadual Serra Ricardo Franco. "O desflorestamento em questão foi praticado de forma totalmente ilegal, na medida em que a área encontra-se nos limites da Unidade de Conservação Parque Estadual Serra de Ricardo Franco, local em que se admite apenas o uso indireto dos recursos naturais", diz trecho da decisão em caráter liminar.
Foi constatado o desmatamento irregular de 735 hectares na área rural, sem autorização ou licença expedida pela Secretaria Estadual de Meio Ambiente (Sema), além do uso de ocupação do solo em desacordo com o Sistema Nacional de Unidade de Conservação (Snuc). Por causa da devastação, foi lavrado pela Sema um auto de infração, segundo a decisão do juiz Leonardo de Araújo Costa Timiati, do dia 30 de novembro.
Além do desmatamento irregular, os proprietários da fazenda utilizavam a área para a criação de gado, sem autorização.
Conforme o magistrado, o montante bloqueado deve servir para a recuperação da área degradada. Ele também determinou o fim imediato de todas as atividades que lesem o meio ambiente, sob pena de multa diária de R$ 100 mil, e a retirada do rebanho da propriedade no prazo de 60 dias, também sob risco de multa do mesmo valor.
No entanto, o juiz considerou a dificuldade da reparação dos danos ambientais, apesar do bloqueio de bens em busca de reparar os danos.
"O dano ambiental causado, bem como sua continuação, verdadeiramente traduzem lesão grave. Consequentemente, a reparação do dano ao meio ambiente é extremamente difícil, quando não impossível, e, por isso todos, os esforços devem ser envidados para assegurar que a reparação integral seja efetivamente realizada, inclusive com a reparação extrapatrimonial", ressaltou.