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sábado, 5 de janeiro de 2013

POESIA POPULAR


- UM INFELIZ COMO EU -
                    - Moysés Sesyom -  *

A morte mata o sultão,
Arcebispo e cardeal,
Presidente , marechal,
Ministro, conde, barão.
Em tempo matou Roldão
Como na história deu
O próprio Jesus morreu;
Mata tudo ó morte ingrata
Só não sei porque não mata
Um infeliz como eu.

Ela mata todo mundo
Branco, preto, rico e pobre
Mata o potentado, o nobre,
Mata o triste e o vagabundo.
Matou Dom Pedro Segundo
Matou quem o sucedeu,
Capitalista e plebeu,
Mata tudo, não tem jeito
Mas não mata, por despeito
Um infeliz como eu.

Não  reserva o cientista;
Mata, sem dó o profeta,
Tirana, mata o  poeta,
Mata o maior estadista.
Mata também o artista,
O cego, o mudo, o sandeu.
Mata o crente e o ateu,
Diplomata e titular,
Mas, poupa, não quer matar
Um infeliz como eu.

 Ela mata no Senado
Como matou Rui Barbosa,
Entra no Congresso airosa
Aí,  mata um deputado:
Matou Pinheiro Machado
Dele não se condoeu
Ela jamais atendeu
Mata gente, mata bicho
Mas, não mata por capricho
Um infeliz como eu.

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* Moysés Sesyom (Moysés Lopes Sesyom) foi um conhecido e admirado poeta popular. Pilhérico, de grande irreverência e inesgotável verve  nasceu no dia 28 de julho de 1883, no sítio Baixa Verde localizado em  Caicó - RN.
Foi autor de centenas de poemas - principalmente - obscenos, que até hoje são declamados pelos seus admiradores.
Sesyom era um grande boêmio, apreciador de uma 'boa pinga' e para se manter trabalhou como balconista em uma pequena padaria, professor (das primeiras letras) e comerciário em uma firma compradora e exportadora de algodão, couros  e cera de carnaúba. Também foi 'dono de bodegas' e soldado de polícia chegando a assumir o cargo de suplente de Delegado.
Portador de sífilis, faleceu no dia 9 de março de 1932, na cidade de Assu no estado do Rio Grande do Norte.
(O poema acima postado foi escrito após uma desavença com sua espôsa)

Um comentário:

Prof. Carlão disse...

Brilhante!