- UM INFELIZ COMO EU -
- Moysés Sesyom - *
A morte mata o
sultão,
Arcebispo e
cardeal,
Presidente ,
marechal,
Ministro, conde,
barão.
Em tempo matou
Roldão
Como na história
deu
O próprio Jesus
morreu;
Mata tudo ó morte
ingrata
Só não sei porque
não mata
Um infeliz como eu.
Ela mata todo mundo
Branco, preto, rico
e pobre
Mata o potentado, o
nobre,
Mata o triste e o
vagabundo.
Matou Dom Pedro
Segundo
Matou quem o
sucedeu,
Capitalista e
plebeu,
Mata tudo, não tem
jeito
Mas não mata, por
despeito
Um infeliz como eu.
Não reserva o cientista;
Mata, sem dó o
profeta,
Tirana, mata o poeta,
Mata o maior
estadista.
Mata também o
artista,
O cego, o mudo, o
sandeu.
Mata o crente e o
ateu,
Diplomata e
titular,
Mas, poupa, não
quer matar
Um infeliz como eu.
Como matou Rui
Barbosa,
Entra no Congresso
airosa
Aí, mata um deputado:
Matou Pinheiro
Machado
Dele não se condoeu
Ela jamais atendeu
Mata gente, mata
bicho
Mas, não mata por
capricho
Um infeliz como eu.
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* Moysés
Sesyom (Moysés Lopes Sesyom)
foi um conhecido e admirado poeta popular. Pilhérico, de grande irreverência e
inesgotável verve nasceu no dia 28 de
julho de 1883, no sítio Baixa Verde localizado em Caicó - RN.
Foi autor de centenas de poemas - principalmente - obscenos, que até hoje são declamados
pelos seus admiradores.
Sesyom era um grande boêmio, apreciador de uma 'boa pinga' e para se manter trabalhou como balconista em uma pequena padaria,
professor (das primeiras letras) e comerciário em uma firma compradora e
exportadora de algodão, couros e cera de
carnaúba. Também foi 'dono de bodegas' e
soldado de polícia chegando a assumir o cargo de suplente de Delegado.
Portador de sífilis, faleceu no dia 9 de março de 1932, na cidade de
Assu no estado do Rio Grande do Norte.
(O poema acima postado foi escrito após uma desavença com sua espôsa)
(O poema acima postado foi escrito após uma desavença com sua espôsa)
Um comentário:
Brilhante!
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