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quarta-feira, 25 de outubro de 2017

POESIA POPULAR NORDESTINA


- DEIXAÇÃO DA ENXADA -
 Poeta: Pacífico Pacato Cordeiro Manso (*)

Não sei quem foi que inventou
Aquele ferro malvado
Um bicho malamanhado
Só sendo o cão que forjou
Porque Deus que nos criou 
Não deixou coisa malvada
Depois da bicha encaibada 
Só faz é calo na mão
Por esta grande razão
FIZ DEIXAÇÃO DA ENXADA 
- - - x - - -
Eu comprei uma enxada
Botei um cabo de pau
Porém aquele ferro mau
Me deu uma canelada
Deixou-me de unha arrancada
Nunca vi doer assim!
Foi um enfado sem fim
Meu corpo todo doía
Ate que deixei um dia
POR SER UM FERRO RUIM.
- - - x - - -
 Eu deixei por um motivo
Qual me queixo a vida inteira:
Quando limpei três carreiras
Estava mais morto que vivo 
Tomei uma nota no livro
Para não esquecer mais dela
Com suor e mela-mela
Quase queimou a botica 
O suor corria em bica
QUANDO EU PUXAVA POR ELA. 
- - - x - - -
Vi-me em tormentos cruéis 
Com tal ferro arrenegado
Se puxava pra meu lado
Lá vinha cortar-me os pés
Eu não tenho meus derréis 
Para dar por tal Caim 
Que deixou-me surubim,
Com mormos pela canela
Quando eu puxava por ela,
ELA PUXAVA POR MIM.
 - - - + - - -
( *) Pacífico Pacato Cordeiro Manso é o pseudônimo de Pacífico da Silva, poeta popular nordestino nascido em 17 de junho de 1865, no município de Quebrangulo (AL) e falecido em 9 de maio de 1931, em Maceió (AL).

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