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quarta-feira, 8 de agosto de 2018

POESIA POPULAR NORDESTINA


- O ECRIPE -
Poeta Pompílio Diniz
Essa história de dizê
Qui o mundo vai se acabá
Já deu muito o qui fazê
Já deu muito o qui conta
As muié num hora dessa
Pra seus marido cumeça
Munto segredo contá!
- - - x - - -
Era comum no sertão
Si aquerditá nas bestêra
Do “Cabeça de Lião”
Um amanaque de fera
Qui o povo qui lê si intope
De pruficia e horoscope,
Pru resto da vida intera!...
- - - x - - -
Veja cuma o povo omenta
Essas coisa pra pió
Já no fina de quarenta
Naquele ecripse do Só
Os amanaque dizia
Qui o mundo naquele dia
Num ficava nem o pó!
- - - x - - -
Quando o buato correu
Todo mundo aquerditô
E a muié de Rumeu
Qui a principi num ligô
Veno o mundo iscurecê
Pensano qui ia morrê
Pra seu marido falô:
- - - x - - -
- Ô Rumeu, meu Rumeuzin!
Tu perdoa os erro meu?!
Já qui o mundo ta no fim
Vou contá o qui acunteceu
Tu sempre pensô qui eu era
Uma muié muito séra
Mas foi ingano, Rumeu!
- - - x - - -
Tu sabe cuma é os home
Eles num serve pra nada
Pois nunca arrespeita o nome
Nem liança de casada
E a gente cum sacrifiço
Vai regeitano no iníço
Mas a insistênça é danada!...
- - - x - - -

sexta-feira, 3 de agosto de 2018

POESIA POPULAR NORDESTINA


Na tentativa de receber seus honorários pelos direitos autorais de matérias de sua autoria, publicadas por um jornal, o poeta enviou ao diretor do mesmo, a seguinte cobrança em forma de poema:

São Paulo, 3 de janeiro do ano que vai passando.

Meu amigo Alcides Lopes
Ponha ao lado os envelopes
E vá logo me escutando:
Desejo para o amigo
Um ano novo feliz
Cheio de tanta ventura
Que um verso escrito não diz.
- - - = - - -
Quero que a vida sorria
Que goze muita saúde
Que ganhe bastante dinheiro
Que Deus na terra o ajude.
- - - = - - -
Mas, escute, velho amigo,
O que eu lhe quero dizer:
Já não tenho o que fazer
Com “seu” doutor Marroquim,
Pois na sua vida boa,
Nunca se lembra de mim.
- - - = - - -
Desde janeiro passado
Que o jornal tem publicado
As produções que remeto...
E enquanto isso se publica
O poeta velho aqui fica
Cansado, chupando o dedo...
- - - = - - -
Vinte produções mandadas
Foram aí publicadas
Até com fotografias...
E enquanto eu gasto em retratos,
Vejo (ai senhores ingratos)
Minhas “gibeiras” vazias.
- - - = - - -
O Marroquim permanece
(Como quem faz uma prece)
Com a sua alma “polar”
Frio, indiferente, farto,
E eu aqui em meu quarto
Morrendo de trabalhar!
- - - = - - -
“Seu” Alcides, ouça, acorde,
A quebradeira me morde,
Não posso ficar assim!
Para não levar-me à breca,
Peça a Leitão, o careca
Que ele se lembre de mim.
- - - = - - -
Diga-lhe que o poeta sofre
Que ele abra esse velho cofre
Onde o dinheiro faz ninho
E mande-me algumas pratas
Pra eu gastar com as mulatas
Ou... com um copo de vinho!
- - - = - - -
Peça a “nota” ao Marroquim
E sapeque para mim
Um cheque de lá pra cá
A vida aqui é espeto!
E nas farras que eu me meto
Coisinha pouca não dá!
- - - = - - -
Meu caro Alcides socorra
Este náufrago infeliz!
Não deixe que aqui eu morra
Só esfregando o nariz!


quinta-feira, 2 de agosto de 2018

POESIA POPULAR NORDESTINA

- A MÁSCARA -
Por: Primo Poeta

Chega a hora do palhaço se despir
A platéia já perdeu a confiança,
Este circo ficará só na lembrança,
Desse povo que cansou de aplaudir.
Esta máscara tá na hora de cair
Ficou claro, o eleitor percebeu...
Em agosto, ele reapareceu,
Com conversa de que é mais preparado
Acabando com a feira do mercado
Repetindo tudo que nos prometeu.

quarta-feira, 1 de agosto de 2018

POESIA POPULAR NORDESTINA

Você hoje se orgulha da riqueza
Tem dinheiro no banco e se exalta
Vive muito feliz por que não falta
A sagrada comida em sua mesa
Mas não zombe da casa da pobreza
Que o pobre, apesar de tudo é gente
Jesus Cristo em tudo está presente
Pra julgar qualquer um com sua luz
Pois que zomba das coisas de Jesus
Será pobre de espírito eternamente.
Poeta Vem-Vem

sábado, 28 de julho de 2018

POESIA POPULAR NORDESTINA

- ATÉ QUE A MORTE OS SEPARE! -
Poeta Merlânio Maia
 
Zé Maria e Felisbela 
Namoraram e noivaram 
Depois de um tempo casaram 
E no dia do casamento 
Escutaram do vigário 
“Até que a morte os separe!” 
Lua de mel num safari
Aumentou contentamento.
- - - x - - -
Mas trinta anos depois
Zé Maria passou mal 
Levado para o hospital 
O seu coração pifou 
Na mesa da cirurgia 
Zé num suspiro profundo 
Passou desse pro outro mundo 
Coitado, desencarnou! 
- - - x - - -
Felisbela muito casta 
Nunca mais quis se casar 
Zé foi o único no altar 
E o único no leito seu 
E assim a bela seguiu 
Na sua longevidade 
Fez história na cidade 
Só aos noventa morreu. 

terça-feira, 24 de julho de 2018

POESIA POPULAR NORDESTINA

AI! SE EU SÊSSE!

Se um dia nós se gostasse;
Se um dia nós se queresse;
Se nós dos se impariásse,
Se juntinho nós dois vivesse!
Se juntinho nós dois morasse
Se juntinho nós dois drumisse;
Se juntinho nós dois morresse!
Se pro céu nós assubisse?
Mas porém, se acontecesse
Qui São Pêdo não abrisse
As portas do céu e fosse,
Te dizê quarqué toulíce?
E se eu me arriminasse
E tu cum insistisse,
Pra qui eu me arrezorvesse
E a minha faca puxasse,
E o buxo do céu furasse?...
Tarvez qui nós dois ficasse
Tarvez qui nós dois caísse
E o céu furado arriasse
E as virge todas fugisse!

segunda-feira, 23 de julho de 2018

POESIA POPULAR NORDESTINA

- O MAR -
Poeta Manoel Xudú

O mar se orgulha por ser vigoroso
Forte e gigantesco que nada lhe imita
Se ergue, se abaixa, se move se agita
Parece um dragão feroz e raivoso
É verde, azulado, sereno, espumoso
Se espalha na terra, quer subir pra o ar
Se sacode todo querendo voar
Retumba, ribomba, peneira e balança
Não sangra, não seca, não para e nem cansa
manoelxudu002São esses os fenômenos da beira do mar.

O próprio coqueiro se sente orgulhoso
Porque nasce e cresce na beira da praia
No tronco a areia da cor de cambraia.

Seu caule enrugado, nervudo e fibroso
Se o vento não sopra é silencioso
Nem sequer a fronde se ver balançar
Porém se o vento com força soprar
A fronde estremece perde toda calma
As folhas se agitam, tremem e batem palma.

Pedindo silêncio na beira do mar
Não há tempestades e nem furacões
Chuvadas de pedras num bosque esquisito
Quedas coriscos ou aerólito
Tiros de granadas de obuses canhões
Juntando os ribombos de muitos trovões.

Que tem pipocado na massa do ar
Cascata rugindo serra a desabar
Nuvens mareantes, tremores de terra
Estrondo de bombas, rumores de guerra
Que imite a zoada das águas do mar.